Menu

Governo tenta evitar tarifaço dos EUA e mantém Pix fora das negociações

O governo federal intensificou as negociações com os Estados Unidos para evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que pode afetar setores exportadores e ampliar tensões comerciais entre os...

Por

Vinhedo360

O governo federal intensificou as negociações com os Estados Unidos para evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que pode afetar setores exportadores e ampliar tensões comerciais entre os dois países. As conversas ocorrem no contexto da investigação aberta pelo governo americano por meio da chamada Seção 301, instrumento utilizado para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.

Na quinta-feira (2), o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, reuniu-se em Washington com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Durante o encontro, o governo brasileiro apresentou propostas para atender parte das demandas americanas, mas deixou claro que o Pix não será incluído em qualquer negociação.

O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos vem sendo citado pelos Estados Unidos durante a investigação comercial, mas o governo brasileiro considera o tema inegociável por se tratar de uma política pública e de um instrumento estratégico para o sistema financeiro nacional.

Propostas apresentadas pelo Brasil

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o plano brasileiro contempla medidas relacionadas aos demais pontos investigados pelos norte-americanos, entre eles:

  • Tarifas consideradas preferenciais ou desleais;
  • Acesso ao mercado brasileiro de etanol;
  • Proteção à propriedade intelectual;
  • Combate à corrupção;
  • Ações de combate ao desmatamento ilegal.

Uma das principais propostas apresentadas pelo governo brasileiro envolve a redução de tarifas incidentes sobre cerca de 300 operações comerciais. Como as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) impedem benefícios exclusivos a um único país, eventuais reduções precisariam ser estendidas a outros parceiros comerciais.

Além disso, o governo também apresentou iniciativas já em tramitação no Congresso Nacional e medidas regulatórias que podem atender parte das exigências americanas sem comprometer setores estratégicos da economia brasileira.

Prazo para decisão

Esta foi a quarta reunião entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer desde o início das negociações. A expectativa é que novos encontros ocorram nos próximos dias.

Os Estados Unidos devem concluir até 15 de julho a análise sobre a recomendação de aplicação ou não das novas tarifas contra produtos brasileiros. Até lá, as equipes econômicas dos dois países continuarão buscando uma solução negociada.

Disputa política

O tema também ganhou espaço no debate político nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de uma carta enviada pelo parlamentar a autoridades americanas defendendo o adiamento de eventuais sanções comerciais para depois das eleições brasileiras.

Nas redes sociais, Lula afirmou que a proposta representa uma atitude contrária aos interesses nacionais e reforçou que “a soberania brasileira é inegociável”.

Flávio Bolsonaro respondeu às críticas acusando o governo de falhar na condução das relações com os Estados Unidos e de não buscar uma solução eficaz para evitar o tarifaço.

Impacto econômico

Caso as tarifas sejam confirmadas, diversos setores exportadores brasileiros poderão ser afetados, especialmente aqueles com forte presença no mercado norte-americano. Por isso, o governo federal trata o assunto como prioridade e busca uma saída diplomática que preserve a competitividade dos produtos brasileiros sem abrir mão de temas considerados estratégicos, como o Pix e a autonomia regulatória do país.

Enquanto as negociações avançam, o mercado acompanha com atenção os desdobramentos da disputa comercial, que poderá influenciar as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos nos próximos anos.

Compartilhe:
Facebook
WhatsApp
Email
LinkedIn

Você pode gostar

Menu

Categorias

No data was found